10.12.12

Querer não chega. Nunca chegou. E ouvir um tudo vai correr melhor da próxima vez também não. As coisas não irão melhorar só porque alguém nos sussurrou isso ao ouvido. Sabe bem. Sabe maravilhosamente bem. Parece até que nos faz acreditar que essa poderá ser a realidade, mas a realidade não nasce das palavras. Talvez seja antes precisamente o contrário. Talvez viver nos obrigue a escrever pela vida. Talvez escrever seja o melhor dos melhores que nos é oferecido. E talvez seja disto que eu preciso. Escrever. Porque escrever faz-me sentir livre como uma onda do mar a rebentar na areia. Sem preocupações. Sinto-me outra que não eu, mas sendo exatamente eu mesma. Sinto-me a pequenina com ganas de vencer e com confiança de si. Sinto-me a pequenina que não sabe o que é desistir. Nem quer saber. Sinto-me a pequenina grande mulher de que alguns se orgulham. Porque escrever é uma viagem que me leva até aos limites da minha imaginação. Isto se é que hajam limites. Porque escrever é deveras real. Tão real como eu ser uma pequenina que também cai e se magoa. E que se desilude não só com outros como também a si própria. E não há pior que isso. Não há pior que uma desilusão que é capaz de alterar por completo o magnetismo da bússola da vida, deixando-nos perdidos. Até mesmo sem rumo. E, por vezes, a cambalhota é tão severa que custa saber como nos endireitar de modo a não ficar ainda mais de pernas para o ar. Por vezes, é a realidade que não queremos ver e viver que provoca tudo isto. Refugiamo-nos na possibilidade do melhor e, sem dar conta, entramos para um mundo ilusório. É certo que, mais cedo ou mais tarde, os olhos se abrem para a realidade. O problema é que nem sempre se encontra o que se quer e é aí que tudo se desmorona. Mas é nosso dever fazer erguer o que desabou connosco. E a nós próprios. É preciso recuperar as forças e inventar outras nunca antes conhecidas. Aí, o castelo de areia já estará pronto para enfrentar a chegada de uma nova onda do mar. É nosso dever protegê-lo. Dar o nosso melhor. Sempre. Não se sabe o quão traiçoeira a vida pode ser. Nada é constate. Nem a areia o é. E eu sou um castelo de areia, mas às vezes queria ser uma onda do mar. 

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