Querer não chega. Nunca chegou. E ouvir um tudo vai correr melhor da próxima vez também não. As coisas não irão melhorar só porque alguém nos sussurrou isso ao ouvido. Sabe bem. Sabe maravilhosamente bem. Parece até que nos faz acreditar que essa poderá ser a realidade, mas a realidade não nasce das palavras. Talvez seja antes precisamente o contrário. Talvez viver nos obrigue a escrever pela vida. Talvez escrever seja o melhor dos melhores que nos é oferecido. E talvez seja disto que eu preciso. Escrever. Porque escrever faz-me sentir livre como uma onda do mar a rebentar na areia. Sem preocupações. Sinto-me outra que não eu, mas sendo exatamente eu mesma. Sinto-me a pequenina com ganas de vencer e com confiança de si. Sinto-me a pequenina que não sabe o que é desistir. Nem quer saber. Sinto-me a pequenina grande mulher de que alguns se orgulham. Porque escrever é uma viagem que me leva até aos limites da minha imaginação. Isto se é que hajam limites. Porque escrever é deveras real. Tão real como eu ser uma pequenina que também cai e se magoa. E que se desilude não só com outros como também a si própria. E não há pior que isso. Não há pior que uma desilusão que é capaz de alterar por completo o magnetismo da bússola da vida, deixando-nos perdidos. Até mesmo sem rumo. E, por vezes, a cambalhota é tão severa que custa saber como nos endireitar de modo a não ficar ainda mais de pernas para o ar. Por vezes, é a realidade que não queremos ver e viver que provoca tudo isto. Refugiamo-nos na possibilidade do melhor e, sem dar conta, entramos para um mundo ilusório. É certo que, mais cedo ou mais tarde, os olhos se abrem para a realidade. O problema é que nem sempre se encontra o que se quer e é aí que tudo se desmorona. Mas é nosso dever fazer erguer o que desabou connosco. E a nós próprios. É preciso recuperar as forças e inventar outras nunca antes conhecidas. Aí, o castelo de areia já estará pronto para enfrentar a chegada de uma nova onda do mar. É nosso dever protegê-lo. Dar o nosso melhor. Sempre. Não se sabe o quão traiçoeira a vida pode ser. Nada é constate. Nem a areia o é. E eu sou um castelo de areia, mas às vezes queria ser uma onda do mar.
10.12.12
2.12.12
Sinto-me cada vez mais uma adulta. Uma pequenina adulta. Sinto que só nos falta a nossa casa. Aquela pequenina casa que irá ser o nosso ninho do amor. Vontade não nos falta, porque crescer não é assim tão mau como todos o pintam. Talvez os adultos de verdade não saibam usar os lápis de cor da melhor forma. Talvez arranjem como solução para tudo riscar o papel de preto. Mas a vida quer-se com cor tal e qual como um arco-íris. Nenhum inverno é suficientemente rigoroso para que não existam dias sem chuva. E mesmo da chuva pode nascer um arco-íris, basta desenhar um sol no canto da folha e voilá. A vida ganha cor mesmo no meio de uma tempestade, porque nada é permanente. Nem as promessas. O tempo leva todas as promessas consigo. Menos as que realmente são cumpridas. O nosso amor é uma dessas promessas que ficam para toda a vida e que é cumprida a cada dia que passa. Porque a cada dia vivido contigo, eu sinto que te amo ainda mais. E é este nosso amor que me faz querer crescer e ser a mãe dos nossos filhos, numa pequenina casa, porque imenso já o nosso amor o é.
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