Está frio lá fora. E chove. Adoro ouvir o som da chuva a cair. Mas, por vezes, isso faz-me sentir triste. Triste como as cores do céu. E o céu é infinito. Mas a minha casa está fria e não posso apenas culpar o frio que se faz sentir lá fora. O maior cubo de gelo está dentro de minha casa e é triste sentir isto. É ainda mais triste ter a plena consciência disto e ter que viver com isso desde sempre. Mas a verdade é que a maior dor que poderei sentir cada vez que o frio me atacar se chama pai. É isso. Sentir o frio das ruas não é problema, soluciono-o com um croissant de chocolate acabadinho de sair do forno da pastelaria do costume, que bem me aconchega o estômago. Ou com o amor dele, com a chama do nosso amor. Ela nunca se apaga, nunca perde a força de brilhar mais alto. Mas em contrapartida, tenho o amor de pai como lacuna. Está congelado e isso arrefece-me o coração sempre que penso. E pensar faz doer os olhos. Mas desculpa-me se errei em alguma coisa. Desculpa-me se não te posso chamar de herói ou de homem da minha vida. Desculpa-me. As mágoas já são tantas... E o meu coração pequenino só queria conhecer-te melhor. Abraçar-te! Encontrar no teu abraço o melhor agasalho de inverno. E fazer bonecos de neve, para que se abolisse de vez o frio que nos separa. Para sempre.
25.11.12
24.11.12
Sinto-me cansada. Cansada de tudo. Cansada da vida. Saber viver não é como saber andar de bicicleta, que basta aprender uma vez. A vida é uma pista de constante aprendizagem. É
um caminho repleto de obstáculos. Ultrapassam-se uns e aparecem logo de seguida
outros com um grau de complexidade maior. É preciso ser-se guerreiro. E uns são-no melhor que
outros, porque o que não nos derruba torna-nos mais fortes. Acho que é a isto que se deve a força do nosso
amor. Já ultrapassámos inúmeras advertências. Já cortámos a meta da felicidade
ainda mais vezes e mesmo quando ela nos parecia fugir para longe, nunca perdemos
a vontade de vencer mais uma batalha. Cada dia é um batalha. E cada batalha
leva à felicidade, porque mesmo a derrota faz de quem tenta vencedor só por ter
tentado. O impossível não existe. O impossível é o medo da possibilidade. Se
não se consegue uma vez ou duas ou três, existe sempre uma quarta tentativa ou
quinta ou sexta. Só da tentativa nasce o possível. E o possível faz-nos ser felizes.
Mas cansa. Tentar cansa. E eu estou cansada da vida. Viver cansa. Quando se
colocam as metas num patamar tão longínquo, a vida ainda consegue cansar mais. E eu sinto-me cansada.
19.11.12
A vida é um mar de memórias. Umas que vêm e outras que vão,
assim como as ondas do mar. Umas que nos trazem a saudade de um passado que já passou
e outras que nos entregam à determinação do sonhar e à força de enfrentar o
futuro que virá. Mas ainda há mais. Há as memórias que ficam e vão ficando até
ao momento em que uma onda chega e apaga as pegadas que iam ficando na areia.
Isso, as pegadas na areia. Não no coração. No coração as memórias são escritas
com tinta permanente, porque é no coração que se encontram as melhores memórias
de uma vida. E essas são aquelas que ficam e vão ficando. Sempre. E são essas
memórias que o mar eleva até ao seu cimo para que flutuam connosco, em uníssono com o decorrer da vida. Porque são essas que nos assaltam o pensamento por um
maior número de vezes. É isso que lhes transmite importância. Importância e
força. E essa é a força com que as desejamos sempre por perto, sem que sejam
levadas com a maré. Por isso, elas ficam e vão ficando sempre ao nosso redor, num
labirinto de memórias como o mar.
18.11.12
Eu acredito no amor. Acredito que ele possa ser eterno.
Acredito que, se lhe for depositada toda a pureza do sentir, ele pode até mesmo
superar tudo. E quando digo tudo, refiro-me mesmo a tudo. Quem ama perdoa e
quem perdoa é porque realmente ama. Porque quem ama, não ama por umas horas.
Quem ama entrega o que tem e o que nunca teve. Quem ama luta e quem luta tenta.
A felicidade está ao alcance de uma tentativa e a felicidade é o amor. Eu sou
feliz. Muito feliz, aliás. E acredito no amor, porque tenho um amor assim. Não.
Assim, não. Muito mais que assim, porque é muito mais que palavras. Vai muito
além de todos os esteriótipos estabelecidos para a definição de amor-perfeito.
E eu não quero defini-lo. Iria estar a colocar limites a algo tão
grandioso como é o amor. Grandioso e infinito. E belo. Belo como a beleza do mar.
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