A vida é um mar de memórias. Umas que vêm e outras que vão,
assim como as ondas do mar. Umas que nos trazem a saudade de um passado que já passou
e outras que nos entregam à determinação do sonhar e à força de enfrentar o
futuro que virá. Mas ainda há mais. Há as memórias que ficam e vão ficando até
ao momento em que uma onda chega e apaga as pegadas que iam ficando na areia.
Isso, as pegadas na areia. Não no coração. No coração as memórias são escritas
com tinta permanente, porque é no coração que se encontram as melhores memórias
de uma vida. E essas são aquelas que ficam e vão ficando. Sempre. E são essas
memórias que o mar eleva até ao seu cimo para que flutuam connosco, em uníssono com o decorrer da vida. Porque são essas que nos assaltam o pensamento por um
maior número de vezes. É isso que lhes transmite importância. Importância e
força. E essa é a força com que as desejamos sempre por perto, sem que sejam
levadas com a maré. Por isso, elas ficam e vão ficando sempre ao nosso redor, num
labirinto de memórias como o mar.

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